Desde a introdução do método de fixação externa de Ilizarov no Ocidente, muitos artigos científicos tem sido publicados, no que diz respeito às aplicações, indicações, complicações e resultados. Entretanto, com respeito à reabilitação destes pacientes, encontramos pouca literatura específica, mas sabemos que a fisioterapia é fundamental para o bom resultado de tratamentos utilizando o método de Ilizarov.
As constantes atualizações das técnicas do método de Ilizarov tem sido acompanhadas com um interesse cada vez maior pelos profissionais da reabilitação. Para a obtenção de melhores resultados, além de um acompanhamento direto da fisioterapia, o psicólogo, bem como outros profissionais, se faz nescessário no acompanhamento destes pacientes, especialmente crianças, que apresentem alterações de comportamento e dificuldades em lidar com a mudança em seu estilo de vida.
Acreditamos que o sucesso neste tipo de tratamento está diretamente ligado a uma técnica precisa na colocação do aparelho e a um acompanhamento constante da reabilitação. A falha de um destes fatores é suficiente para comprometer o bom resultado.
As etapas da reabilitação e os principais ítens a serem realizados para o acompanhamento destes pacientes estão resumidos a seguir:
A-Abordagem Pré-Operatória
A reabilitação se inicia tão logo o paciente receba a conduta ortopédica para utilização do método de Ilizarov. Pacientes bem orientados e conscientizados de seu tratamento antes da cirurgia, apresentam mais chances de obterem bons resultados, porque poderão cooperar muito mais, uma vez que conhecem as possibilidades.
Conduta Pré-Operatória:
- Conscientizar o paciente e cuidador(es) sobre o método de tratamento
- Realizar a avaliação psicológica
- Realizar a avaliação fisioterápica -Orientar o paciente quanto aos exercícios necessários
- Treino de marcha com uso de auxiliares
B-Abordagem Pós-Operatória
Após a colocação do aparelho, recomeçar a reabilitação o mais precoce possível. Esta é uma fase importante, pois é o momento de se prevenir a instalação de deformidades e reforçar a orientação ao paciente, quanto aos topicos essenciais de sua reabilitação.
Fase Hospitalar
Conduta Pós-Operatória:
- Posicionamento correto do membro com o aparelho
- Acompanhamento psicológico
- Orientação de cuidados e adaptações com o aparelho
- Tratamento para dor e edema
- Exercícios isométricos e isotônicos passivos, assistidos e ativos no membro com o aparelho
- Exercicios ativos e resistidos para os demais membros -Mudança de decúbitos
- Ortostatismo -Marcha com auxiliares -Orientação para alta hospitalar e cuidados domiciliares
- Encaminhamento para tratamento ambulatorial
Fase Ambulatorial
É imprescindível o paciente dar continuidade à reabilitação após a alta hospitalar. O número de sessões de fisioterapia ambulatorial vai depender individualmente de cada paciente e deve ser realizada até a retirada do aparelho, para então ser realizada uma nova avaliação.
Conduta Ambulatorial:
- Re-avaliação do paciente -Reforço aos cuidados domiciliares
- Acompanhamento psicológico, se necessário -Cinesioterapia para manter ou ganhar ADM e FM do membro com o aparelho
- Intensificação do treino de marcha
- Reintegração do paciente à vida social -Esquema de retornos à terapia
C-Abordagem Pós Retirada
Nesta fase do tratamento, o paciente deve ser reavaliado, de acordo com os critérios de avaliação fisioterápica utilizados desde o início e assim programar qual a sua necessidade atual.
Conduta Básica:
- Re-avaliação do paciente -Maximizar a ADM e FM do membro acometido
- Eliminar desvios de marcha -Restaurar a função
- Independência total às AVDs
- Integração completa à sociedade
Alta da Reabilitação
Os critério de alta fisioterápica e psicológica consiste em atingirmos nossas metas, o bem estar e a segurança destes pacientes, propiciando, então, seu retorno à vida diária, profissional e social, ausente de dor ou restrições físicas.
Gisele Landim Laho |